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terça-feira, 2 de julho de 2013

A BELA, O TÍMIDO , A BAIANINHA E A FEIA

A BELA


1974. Vinha de um desgosto sentimental.
Passara um ano inteirinho cortejando a
garota dos meus sonhos. Era conhecida
como Sandrinha. A meu ver, uma das
mais belas morenas da cidade da antiga Itaboraí
. 
Ela era top de linha. 
Quando percebeu meu
interesse, fez de mim gato e sapato.
       Religiosamente, às 12 horas , 

abandonava minhas atividades estudantis ou esportivas, para lhe fazer companhia, no trajeto do colégio até a porta de sua casa.
       Percebi tardiamente algo de sádico nesta relação:
aceitava meu cortêjo diário, permitia a aproximação, para
logo em seguida puxar o tapete e com desfaçatez me
esnobar.
Vinte anos depois, a encontrei casualmente. Pude identificá-
la apenas pelo par de olhos , inconfundíveis, e o seu
caminhar despretensioso de bailarina.
       Quis o destino que sua arrogância lhe fosse retribuída por sulcos e rugas. Daquele belo rostinho original sobraram-lhe apenas o olhar de pantera. 
Diferia de um maracujá de gaveta apenas quanto à
coloração. Não encarei aquela transmutação com ares de
vingança, apenas me senti aliviado por ter sido rejeitado.